Estudo de autoria do Rev. Elézer Puglia (*1925 - +1991)
Editado por Elézer Puglia, Jr. - Fevereiro de 1999, atualizado em Julho de 2006
Por que razão Deus puniu o chamado "pecado
original" de Eva e Adão, no Jardim do Eden, com o parto
doloroso? Por que razão Caim não consta das genealogias
bíblicas como sendo filho de Adão? Por que a Sagrada Escritura
ensina enfaticamente que não se pode tirar ou aumentar nada da
Palavra de Deus, sob pena de maldição? A única resposta
bíblica satisfatória é esta: por causa da originalidade do
"pecado original".
Em que consiste essa originalidade satânica do "pecado
original"? Consiste em que o diabo realizou pela primeira
vez na história da raça humana, antes de Deus fazê-lo "na
plenitude dos tempos" (aliás, como estava planejado desde a
eternidade e com o necessário consentimento do próprio Deus), a
façanha de gerar um filho em Eva antes de Adão a conhecer
sexualmente, com uma diferença essencial: o diabo precisou do
contacto sexual, através de um animal, ao passo que Deus gerou o
Senhor Jesus Cristo em Maria sem contacto sexual masculino. Em
outras palavras: a originalidade do "pecado original"
foi a invenção do adultério pela alteração do sentido da
Palavra de Deus.
É por isso também que todas as legislações de todas as
sociedades humanas, em todos os tempos, de uma forma ou de outra
punem o adultério, porque o assim chamado pecado original reside
na memória inconsciente de todos os povos como sendo algo errado
que não devia ter sido feito e que não pode ser repetido. Em
que constituiu, afinal, o pecado de Eva, depois também imputado
a Adão? A resposta bíblica correta a esta pergunta é essencial
para se conhecer, em toda a sua extensão, a chamada
"tragédia do Jardim do Eden". Vamos procurar
diligentemente essa resposta nas Escrituras Sagradas.
Em Apocalipse 2:7 lemos esta bendita promessa de recompensa: "Quem
tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor
dar-lhe-ei que se alimente da Árvore da Vida que se encontra no
paraíso de Deus". Esta será a recompensa futura para
todos os que, em todos os tempos, vencerem ao diabo. Quando
terminar a última batalha e os vencedores tiverem deposto,
finalmente, suas armaduras, então eles descansarão para sempre
no Paraíso de Deus e sua recompensa eterna será a Árvore da
Vida, para toda a eternidade dos tempos sem fim!
A expressão "Árvore da Vida" parece apenas uma bela
figura de estilo, mas na realidade não o é. Ela é mencionada
três vezes no livro do Gênesis e três vezes no livro do
Apocalipse, e nessas seis vezes refere-se exatamente à mesma
realidade. Que realidade é essa?
Antes de mais nada, é necessário saber o que as árvores
representam na Bíblia. Em Números 24:6, Balaão, ao descrever o
povo de Israel, disse que ele é "como vales que se
estendem, como jardins à beira de rios, como árvore de sândalo
que o Senhor plantou, com cedros junto às águas".
"Árvores", ao longo das Escrituras, são referências
a pessoas, como está no Salmo 1. Sendo assim, a "Árvore da
Vida" deve ser a Pessoa que dá vida, e essa pessoa é Jesus!
Sabemos que havia no Eden duas árvores plantadas: uma era a
Árvore da Vida e a outra era a Árvore do Conhecimento do Bem e
do Mal. O homem tinha que viver em função da Árvore da Vida, e
estava proibido de sequer tocar na outra Árvore, sob pena de
morte (Gênesis 2:17). O homem, entretanto, desobedecendo à
Palavra de Deus, resolveu participar da Árvore do Conhecimento
do Bem e do Mal e, quando o fez, a morte entrou nele pelo pecado
e o separou de Deus.
Essa Árvore que havia no Jardim do Eden e que era a fonte da
vida era, certamente, Jesus. No Evangelho de João, nos
capítulos 6, 7 e 8, Jesus se apresenta como a fonte da vida
eterna. Ele se chama a Si mesmo "o pão que desceu do
céu" e "o pão da vida" (João
6:32-35). Ele falou em dar-se a Si mesmo, e que aquele que dele
comesse jamais morreria. Declarou que conhecia Abraão e que "antes
que Abraão existisse, Eu sou" (João 8:58). Profetizou
que Ele mesmo daria da água da vida, da qual aquele que bebesse
jamais teria sede, mas viveria eternamente. Jesus se apresentou
como o grande Eu Sou. Ele é o Pão da Vida, a Fonte da Vida e é
eternamente a Árvore da Vida! A mesma que estava no Jardim do
Eden e que estará no Paraíso de Deus.
Muitas pessoas, por não conhecerem a exatidão dos termos da
Palavra de Deus, alimentam indefinidamente a errônea ideia de
que as duas Árvores do Jardim do Eden eram simplesmente duas
árvores a mais, além das outras que Deus havia plantado.
Aqueles que estudam cuidadosamente as Escrituras descobrem,
entretanto, que não é bem assim. Quando João Batista proclamou
que "o machado está posto à raiz das árvores"
(Mateus 3:10 e Lucas 3:9), ele não se referia, por certo, às
árvores no sentido vegetal, mas estava falando de princípios
espirituais. Em I João 5:11 lemos que "o testemunho é
este, que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu
Filho". Em João 5:40, Jesus declarou: "contudo,
não quereis vir a mim para terdes vida". Sendo assim,
o testemunho da Palavra de Deus é claro e insofismável: a Vida
Eterna não apenas está no Filho, mas é o Filho. Em I João
5:12 lemos que "aquele que tem o Filho tem a vida;
aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida".
Assim, como o testemunho da Palavra não pode ser alterado, isto
é, não se lhe pode tirar ou acrescentar nada, então o
testemunho é este: a vida está no Filho e é o Filho.
Daí decorre, sem sombra de erro, que a Árvore da Vida
no Jardim do Eden só pode ser Jesus!
Muito bem. Se a Árvore da Vida é uma pessoa, então a Árvore
do Conhecimento do Bem e do Mal só pode ser também uma pessoa,
e não a mesma pessoa da Ávore da Vida. Sendo assim, o Justo e o
Iníquo estavam lado a lado no Jardim do Eden. Em Ezequiel 28:13,
o testemunho da Palavra declara a respeito do diabo: "Estavas
no Eden, o jardim de Deus..." E aqui começamos a
compreender o que foi que realmente aconteceu no Eden. O
testemunho da Palavra declara que Eva foi enganada, iludida,
tapeada pela Serpente. Em Gênesis 3:1 está dito que "a
serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o
Senhor Deus tinha feito, disse à mulher..." Esse
animal selvático, a "serpente", era tão próximo do
homem, embora fosse puramente animal, que podia raciocinar e
comunicar seu raciocínio pela palavra. Um ser situado mais ou
menos entre o homem e o macaco, porém bem mais próximo do
homem. Estava tão próximo do homem que podia misturar, e
misturou, sua semente com a de Eva, e ela concebeu. Quando isso
aconteceu, Deus amaldiçoou a "serpente" com uma
maldição tal que toda a sua estrutura óssea foi mudada, e ela
passou a ter de rastejar todos os dias de sua vida (Gênesis
3:14). E o Senhor Deus o fez de modo tão completo e tão
definitivo que a ciência pode tentá-lo com toda a sua força e
perspicácia, mas não encontrará esse pela própria ciência
chamado de "elo perdido"!
A ciência humana tem provado que existe uma certa associação
da vida humana com a vida animal, e tem tentado provar essa
associação através da teoria da evolução. Não existe
evolução nesse sentido, mas é certo que aquele animal
selvático tinha condições de misturar sua semente com
a de Eva, mistério esse que pode ser revelado facilmente com um
cuidadoso estudo das Escrituras Sagradas, como estamos tentando
fazer neste trabalho. Foi através desse ato que Eva desprezou a
Vida e aceitou a Morte. E com ela Adão, e todo o gênero humano.
Veja o que Deus disse em Gênesis 3:15: "Porei inimizade
entre ti e a mulher, entre a tua descendência (no original,
"semente") e o seu descendente. Este te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". Se dermos
crédito à Palavra, que afirma que Eva podia ter uma
descendência (uma "semente" no original), então a
"serpente" podia também ter uma "semente" e
uma descendência, como de fato teve. E se o Descendente de Eva
haveria de ser um Filho nascido sem o concurso do sexo masculino,
então a "semente" da "serpente", isto é,
daquele "animal selvático", tinha de aparecer segundo
o mesmo padrão, isto é, sem a necessária instrumentalidade do
único homem até então existente, que era Adão.
Não há nenhum estudante da Palavra de Deus que não saiba que o
Descendente da semente da mulher citado em Gênesis 3:15 é o
Cristo que nasceu pela instrumentalidade do Espírito Santo de
Deus, sem contacto sexual de Maria com homem algum. Como também
não há quem não saiba, estudando corretamente a Bíblia, que o
que foi predito ali, isto é, que Cristo haveria de ferir a
cabeça da "serpente", era na realidade uma profecia
sobre o que o Senhor Jesus Cristo haveria de conseguir na cruz
contra Satanás, enquanto este apenas Lhe poderia "ferir o
calcanhar", sem destruir a Sua vida.
Essa porção da Escritura (Gênesis 3:15) é a revelação de
como a literal "semente" da "serpente", isto
é, Satanás, foi semeada na terra, da mesma forma como temos em
Lucas 1:26-35 o exato relato de como o Descendente (a
"semente") da mulher veio a ter sua manifestação
física sem a instrumentalidade do sexo masculino: "No
sexto mês foi o anjo Gabriel enviado da parte de Deus, para uma
cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com
certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem
chamava-se Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse:
'Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.' Ela, porém,
ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no
que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse. 'Maria,
não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que
conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome
de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo;
Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; e ele
reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não
terá fim.' Então disse Maria ao anjo: 'Como será isto, pois
não tenho relação com homem algum?' Respondeu-lhe o anjo:
'Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te
envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que
há de nascer será chamado Filho de Deus.' "
Como o Descendente ou a "semente" da mulher era
literalmente Deus reproduzindo-se a Si mesmo em carne humana,
assim também a "semente" da "serpente" (isto
é, o diabo) foi o modo como ele manobrou para poder literalmente
abrir a porta para sua entrada na raça humana. Era impossível
para Satanás, que é apenas um ser espiritual criado,
reproduzir-se do mesmo modo como Deus se reproduziria através da
Maria, e então o relato do Gênesis nos conta como ele fez para
produzir sua semente e a injetar (ou injetar-se a si mesmo) na
raça humana: através daquele "animal selvático"
também chamado de "serpente". Aliás, em mais de um
lugar a Bíblia chama o próprio diabo de serpente.
Antes de Adão ter qualquer intercurso carnal com Eva, para
"conhecê-la", na linguagem bíblica, a
"serpente" o precedeu nesse conhecimento. E o resultado
disso foi o nascimento de Caim, que muito apropriadamente é
chamado em I João 3:12 de "filho do maligno". Ora, o
Espírito Santo, autor da Palavra de Deus, não podia em um lugar
chamar a Adão de "maligno", que é o que ele seria se
Caim fosse seu filho, e em outro lugar, como em Lucas 3:38,
chamar o mesmo Adão de "filho de Deus, que na realidade ele
era pela criação.
Caim veio a ter um caráter igual ao de seu "pai", um
causador da morte, um assassino. Seu intenso desafio a Deus,
quando foi questionado pelo Altíssimo em Gênesis 4:5, 9, 13 e
14, mostra suas características absolutamente não humanas,
nesse particular ultrapassando até as outras confrontações do
diabo com Deus de que temos notícia nas Escrituras:
"...ao passo que de Caim e de sua oferta não se
agradou. Irou-se, pois, sobremaneira Caim, e descaiu-lhe o
semblante."
"Disse o Senhor a Caim: onde está Abel, teu irmão? Ele
respondeu: Não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão?"
"Então disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo,
que já não posso suportá-lo. Eis que hoje me lanças da face
da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e
errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará."
É necessário notar com cuidado a maneira exata como Deus
registra em Sua Palavra os nascimentos de Caim, Abel e Sete.
Gênesis 4:1: "Coabitou o homem
com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então
disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor".
Gênesis 4:2: "Depois deu à luz a Abel, seu irmão..."
Gênesis 4:25: "Tornou
Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz um filho, a
quem pôs o nome de Sete..." Há, portanto, três
filhos nascidos de apenas dois conúbios
sexuais com Adão. Desde que a Bíblia é a exata e perfeita
Palavra de Deus, aqui não há erro mas, ao contrário, um
registro acurado para nossa iluminação. Desde que três
filhos foram nascidos de apenas duas uniões
carnais com Adão, somos obrigados a concluir com toda
a certeza que um desses três não era
filho de Adão!
Deus registrou esses fatos dessa forma para nos mostrar
claramente algo muito importante. O fato é que Eva teve em seu
ventre dois gêmeos, frutos de duas
impregnações separadas! No nascimento desses gêmeos,
Caim veio à luz primeiro, e depois Abel. Para aqueles que
porventura pensem que isto não é possível, é necessário
lembrar que há registros médicos em todo o mundo repletos de
casos semelhantes, em que mulheres tiveram gêmeos oriundos de
ovulações separadas e até de inseminações separadas, tendo a
fertilização dos óvulos acontecido com dias de diferença, e
não apenas isto: alguns desses registros mostram que os
gêmeos eram filhos de pais diferentes! Em
algumas partes do mundo já houve desses casos, como na Noruega:
uma mulher reclamou na justiça pensão alimentícia do marido
para seus dois filhos, sendo um deles branco e o outro negro. Na
disputa, ela veio a admitir que tinha um amante negro.
(Nota do editor: Vários casos semelhantes são relatados na Internet - ver os endereços seguintes:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=search&db=PubMed&term=superfetation
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=search&db=PubMed&term=heteropaternal
http://www.flatrock.org.nz/topics/odds_and_oddities/twins_in_black_and_white.htm
http://www.dnacenter.com/media/twins-different-fathers.html
E porque isto teve de ser assim, isto é, por que razão a
semente da "serpente" nasceu dessa forma, tendo
Satanás se servido de um animal selvático para
poder introduzir sua descendência na raça humana? O homem fora
criado por Deus para ser o templo desse mesmo Deus. O lugar
de repouso de Deus (do Espírito de Deus) era o homem, o
templo, conforme está em Atos 7:46-51: "Este
achou graça diante de Deus e lhe suplicou a faculdade de prover
morada para o Deus de Jacó. Mas foi Salomão quem lhe edificou a
casa. Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por
mãos humanas, como diz o profeta: 'O céu é o meu trono, e a
terra o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o
Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura,
a minha mão que fez todas essas coisas?' Homens de dura cerviz e
incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao
Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o
fazeis." Satanás sabia disto desde sempre e também
desejou habitar dentro do homem, como Deus. O Senhor Deus,
entretanto, reservou esse direito somente para si. Satanás não
pode gozar desse privilégio. Somente Deus poderia se encarnar
humanamente. Satanás não o podia e ainda não o pode. Ele
simplesmente não tem o poder de criação que só Deus tem.
Sendo assim, a única maneira à disposição do diabo para ele
conseguir esse seu intento foi entrar na "serpente" (o animal
selvático já citado) no Jardim do Eden da mesma forma
como viria depois a entrar na vara de porcos dos gadarenos (Lucas
8:26-33). Deus não entra em corpos de animais, mas Satanás pode
fazê-lo e o faz, quando precisa desse expediente. O diabo não
podia ter um filho de Eva diretamente como Deus viria a ter o Seu
Filho diretamente de Maria. Sendo assim, ele entrou na
"serpente" e enganou Eva. Ao seduzi-la sexualmente, o
diabo teve dela um filho de maneira vicária, isto é, a
"serpente" em lugar dele. Caim recebeu plenamente todas
as características espirituais de Satanás e as características
animalescas, sensuais e carnais daquela "serpente".
Não é de admirar, pois, que o Espírito Santo tenha dito, como
já vimos, que "Caim era do maligno" , porque
de fato o era.
Eis aí, então, a originalidade do "pecado original":
o diabo inventou o adultério! Que o fato acontecido no Jardim do
Eden foi de natureza sexual não resta dúvida alguma. É tolice
infantil ficar imitando fábulas inconsequentes e dizer que Eva
comeu a maçã e pecou. Mesmo nessa criancice, aliás, está
popularmente subentendido o ato sexual, pois sempre se associa no
mundo todo a "mordida da maçã" com a perda de
inocência por parte das jovens adolescentes que resolvem
experimentar o sexo antes do casamento. A primeira prova de que o
ato sexual é que decretou a tragédia do Eden é, como já
insinuamos, o sentido do castigo imposto a Eva por Deus: "E
à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua
gravidez. Em meio a dores darás à luz filhos. O
teu desejo será para o teu marido e ele te governará."
(Gênesis 3:16) Por que enfatizou Deus, depois do castigo, que o
desejo sexual de Eva deveria ser agora só do seu marido, e que
este passaria a governá-la? Só há uma resposta: houve
adultério e Deus puniu o adultério! E por que aquele tipo de
punição, aparentemente sem nada ter a ver com o que acontecera?
Por que decretar que, dali em diante, a gravidez da mulher seria
dificultada e o parto passaria a ser através de dores? Só há
uma resposta: Eva não soube obedecer corretamente à ordem de
Deus, que era para não se deixar corromper e não adulterar.
Adulterou e deu no que deu! O pecado de Eva foi, pois, de
natureza sexual, isto é, foi adultério. E o de Adão, qual foi?
Veremos mais adiante. É por isto, também, que o adultério é
pecado que, se não for perdoado, e perdoado por Deus na base do
sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo, leva à morte
espiritual, porque é um ato de desobediência à Palavra de Deus
e é um ato diabólico.
O que vem a ser, afinal, adultério? Nesses exatos termos
bíblicos, adultério é todo ato sexual realizado fora do
casamento. E em que foi que o diabo enganou Eva e a induziu a
cometer adultério? Este é o nó da questão. Aí também, só o
relato bíblico nos pode dar a resposta correta e completa.
Gênesis 3:1-7 nos diz: "Mas a serpente, mais sagaz que
todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse
à mulher: É assim que Deus disse, Não comereis de toda a
árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores
do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no
meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis
nele, para que não morrais. Então a serpente disse à mulher:
É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que
dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como
Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.
Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável
aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe
do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se,
então os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus,
coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si."
O diabo primeiro induziu a mulher à desobediência à Palavra - "É
certo que não morrereis". Depois, torceu o sentido da
Palavra - "Deus sabe que no dia em que dele comerdes se
vos abrirão os olhos e sereis como Deus".
E no bojo de tudo isto vinha a oferta fantasticamente ilusória:
ser como Deus, não só conhecendo o bem e o mal, mas podendo
participar do ato de criação pelo ato da procriação de seres
à sua semelhança! Consumado o ato, só aí perceberam que
estavam nus porque seus olhos foram abertos. É possível fugir
à compreensão correta de aquele ato estava ligado aos órgãos
sexuais, dos quais antes nem se haviam apercebido? Está aqui
mais uma evidência da originalidade do "pecado
original": foi adultério.
Além disso, vamos alinhar outras evidências bíblicas em favor
desta compreensão. Até a ciência, que é fruto direto desse
"conhecimento do bem e do mal", corrobora conosco. Há
provas de que existe afinidade entre o homem e o animal, no
terreno físico. Já houve experiências positivas de injeção
de certas células tiradas de fetos de animais ainda em embrião
no correspondente órgão do corpo humano. Células da tiróide
animal na tiróide humana, células de rins animais em rins
humanos. O perfeito "entendimento" dessas células é
simplesmente impressionante. E já tem sido até tentado - até
agora sem resultado positivo - fazer-se a reprodução entre
seres animais e seres humanos. No Jardim do Eden, entretanto,
isso aconteceu e as evidências bíblicas não podem ser
simplesmente ignoradas, criando-se em seu lugar fábulas
incompreensíveis que até ferem a inteligência humana. Qual a
explicação que se tem recebido, em todas as religiões do mundo
em todos os tempos, para a tragédia, além desta? Nenhuma.
Simplesmente nenhuma. E esse acontecimento merece uma
explicação, porque é a base da compreensão para nosso
relacionamento correto com Deus. Ou não é?
O homem jamais conseguirá reproduzir-se fisicamente através de
um animal, nem animal algum se reproduzirá outra vez através da
mulher, mas isso foi feito no Eden por inspiração diabólica.
Deus destruiu completamente o padrão físico daquele
"animalm selvático" e o transformou realmente numa
serpente. As afinidades, entretanto, permanecem como lembrança
dessa tragédia.
Vejamos agora cuidadosamente no texto bíblico qual foi a
participação de Adão em todo esse "imbroglio" e
porque ele foi punido juntamente com Eva. Para início de
conversa, a participação de Adão foi no mínimo de
conivência. O salmista declarou esta verdade essencial: "Para
sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu"
(Salmo 119:89). Antes que o mundo existisse, antes que uma só
poeira de galáxia, ou muito menos, passasse a existir, a Palavra
de Deus, isto é, a lei de Deus, já estava estabelecida e
firmada para sempre no céu, para que não sofresse o embate de
nenhuma circunstância humana. É possível até afirmar, sem
medo de errar, que a Palavra de Deus, assim como a temos escrita
hoje, já existia firmada por Deus na eternidade antes do
nascimento do tempo.
Muito bem. A Palavra de Deus nos ensina em Deuteronômio 24:1-4
que "se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e
se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado
coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio,
e lho der na mão e a despedir de casa; e se, saindo da sua casa,
for e se casar com outro homem,
e se este a aborrecer e lhe lavrar termo de divórcio e lho der
na mão, e a despedir da sua casa, ou se este último homem, que
a tomou para si por mulher, vier a morrer, então seu primeiro
marido que a despediu não poderá tornar a
desposá-la, depois que foi contaminada, pois é abominação
perante o Senhor; assim não farás pecar a
terra que o Senhor teu Deus te dá por herança". Esta
palavra foi tão verdadeira quando Moisés a escreveu para o povo
quanto o era desde a eternidade e também no Eden. E foi esta
palavra que Adão desobedeceu quando recebeu Eva de volta como
esposa depois de ela ter sido sexualmente contaminada pelo diabo
através do já citado "animal selvático". Embora
sabendo exatamente o que estava fazendo, Adão assim mesmo o fez,
porque amava sua mulher e, amando-a, consentiu em aceitar junto a
responsabilidade do que ele fizera. Por amor a Eva, Adão
consentiu em ceder ao diabo o domínio que o Senhor lhes dera a
ambos (Lucas 4:5-7).
Vejamos agora os filhos que Eva teve e que estão registrados na
Bíblia. Judas 14 declara que Enoque foi o sétimo depois de
Adão. O capítulo 5 de Gênesis dá a seguinte linhagem até
Enoque: 1. Adão; 2. Sete; 3. Enos; 4. Cainã; 5. Maalaleel; 6.
Jarede; 7. Enoque. Note que Abel já havia morrido e Caim, embora
estivesse vivo, não é citado nessa linha! A linhagem de Adão
é contada através de Sete. Se Caim fosse filho de Adão, sendo
mais velho do que Sete, seria o cabeça da linhagem pelo direito
de primogenitura. É preciso notar, com cuidado, o que diz
Gênesis 5:3: "E viveu Adão cento e trinta anos e gerou
um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou
Sete". Em nenhum lugar das Escrituras se diz que Caim
era filho de Adão. Não se pode esquecer, também, o fato de
que, em ambas as genealogias de Gênesis e de Lucas (3:23-28),
Caim não é citado. Se ele fosse filho de Adão, teria de ter
sido registrado algo assim: "Caim, que era filho de Adão,
que era filho de Deus". E se isto não está escrito é
porque não poderia estar escrito, porque Caim não era
filho de Adão!
Os estudiosos da Palavra de Deus têm, através dos tempos e
quase invariavelmente, estabelecido duas linhagens distintas para
a humanidade: uma linhagem espiritual sã através de Sete e uma
linhagem diabólica através de Caim. É estranho notar,
entretanto, que esses mesmos estudiosos da Bíblia nunca explicam
porque Caim é o chefe de uma linhagem satânica e diabólica, ao
passo que com facilidade explicam por que a linhagem de Sete é
espiritualmente sã. Na realidade, Caim tinha de ser até mais
espiritual do que Abel e ainda mais espiritual do que Enoque, se
ele tivesse sido, como Abel, filho de Adão e filho de Deus,
porque cada nova geração, assim diz a Bíblia, se distanciava
mais de Deus. O fato, entretanto, é que Caim é apresentado em
toda a Bíblia, sem rebuços, como completamente satânico e
diabólico desde o primeiro ato, que foi a apresentação
histórica das duas ofertas de ambos os irmãos a Deus (Gênesis
4). Note-se também que a Palavra declara em Gênesis 3:20 que "...Eva
é a mãe de todos os seres humanos", mas em nenhum
lugar declara que Adão é o pai de todos os seres humanos.
Em Gênesis 4:1 Eva declara, com respeito ao nascimento de Caim: "...adquiri
um varão com o auxílio do Senhor". Nem Eva dá a
Adão a paternidade de seu filho Caim! Além disto, ela declara
em Gênesis 4:25: "Tornou Adão a coabitar com sua
mulher; e ela lhe deu à luz um filho, a quem pôs o nome de
Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu
outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou"!
Essa expressão "concedeu", no original, tem o sentido
de "Deus colocou outro descendente no lugar de Abel. Assim,
ela reconhece formalmente seu filho Sete gerado por Adão, mas
não reconhece Caim como tendo sido gerado nela por Adão. Eva
declara que Sete é de "outra semente" (no
original, e não descendente, como está em nossa tradução)
diferente da de Caim; se eles fossem filhos do mesmo pai, ela
teria dito "Deus me concedeu mais semente".
Nem tudo o que os psiquiatras e psicanalistas dizem pode ser
levado em conta de verdade, mas há algo que eles afirmam que
pode nos ajudar a compreender a tragédia do Eden. Eles afirmam
que o medo atávico que as serpentes exercem sobre os seres
humanos é inconsciente e não consciente. Além disso, eles
dizem que a sedução que as serpentes exercem é
inconscientemente ligada ao ato sexual. Em muitas tribos
indígenas, as serpentes são até adoradas como símbolos
fálicos e sexuais. Da mesma forma como a história do dilúvio
aparece em muitas culturas de povos que nunca tiveram nenhum
conhecimento do relato bíblico, também a história da sedução
de Eva pela "serpente" aparece inconscientemente na
vida de muitos povos.
A pergunta mais natural que pode assomar à nossa mente, ao
considerar este assunto sob este aspecto, é a seguinte: Por que
Deus não advertiu Eva claramente sobre a ameaça que aquela
"serpente" representava para a sua integridade física
e moral? A resposta é tão simples como a pergunta: Deus não
tinha a obrigação de descer a minúcias. Ele simplesmente ditou
a Sua Palavra, que tinha de ser obedecida: "Não
comereis da árvore do conhecimento..." Eles deviam
comer da Árvore da Vida e não da Árvore da Morte. Quando Eva
permitiu que Satanás, através da "serpente", mudasse
a palavra de Vida para Morte, Satanás a seduziu da maneira como
desejara, para poder se introduzir geneticamente na raça humana!
Foi como se o diabo dissesse a Eva: "Você pode comer
sossegadamente dos dois frutos ao mesmo tempo. Um pouco de cada
um. Assim você satisfará a sua vontade e a vontade de Deus ao
mesmo tempo, sem problema algum!" E foi aliás a partir
desse artifício que Satanás sugeriu a Eva, e ela aceitou e
declarou (Gênesis 4:1) que o filho que iria nascer dessa união
diabólica era filho do Senhor!
Quando o Senhor Jesus Cristo declarou em João 10:10, "O
ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para
que tenham vida e a tenham em abundância", sabia muito
bem que a primeira vez em que o ladrão, isto é, o diabo,
roubou, matou e destruiu foi exatamente no Eden: roubou a
confiança que Eva devia depositar na Palavra de Deus; matou a
união santa entre Adão e Eva e inventou o adultério; destruiu
todo o poder de domínio do casal sobre o mundo criado por Deus.
A confiança na Palavra de Deus, a obediência ao propósito
inicial do Senhor e o poder sobre todas as coisas só pode ser
adquirido na vida abundante que só Jesus garante.
O que nos ensina esta ousada interpretação do que aconteceu no
Eden? Somente isto: quando obedecemos à Palavra de Deus, somos
abençoados; quando desobedecemos à Palavra de Deus somos
amaldiçoados.
Eis aí, pois, biblicamente explicado o mistério da
originalidade do "pecado original". Se houver
explicação bíblica para ele diferente desta, seria bom
conhecê-la.
Elézer Puglia
Brasília, Dezembro de 1990
Nota do Editor:
São benvindos comentários a este estudo, que podem ser enviados por email. O Rev. Elézer Puglia, autor deste estudo, era pai do responsável por este site. Dedicou a maior parte da sua vida ao ministério do Evangelho como pastor. Poucos meses depois da preparação deste estudo, veio a falecer num acidente de automóvel em que também perderam a vida outros dois servos de Deus, os Rev. Johannes Schlupp e Eugene Emmit Young.